Photo: Ricardo Nogueira

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ENTREVISTA

O OLHAR DE RICARDO NOGUEIRA
NA COPA DO MUNDO

Estamos no meio do ano de 2018 e já sentimos saudade da Copa do Mundo na Russia. Todos nós que acompanhamos o evento temos nossas memórias, independente de ter ido para lá ou não. Os lances, os gols, os atletas, as comemorações e jogos marcantes agora fazem parte da nossa memória. Mas ao abrir o álbum de fotos de Ricardo Nogueira, fotógrafo independente que cobriu a Copa na Russia, percebemos o quanto faz diferença ter o olhar voltado para os detalhes que fizeram do evento o maior deste ano.

Ricardo começou sua carreira fotográfica em 2003 e desde então já cobriu três Copas do Mundo da FIFA, uma edição dos Jogos Olímpicos e inúmeros jogos de futebol profissional em mais de 17 países. Atualmente atua como fotógrafo independente, com foco na propaganda e publicidade e também se dedica a um projeto envolvendo produção de conteúdo fotográfico para atletas de futebol. Convidamos o Ricardo para contar um pouco sobre seu processo de trabalho e também a história do que foi produzido durante a Copa.

Photo: © 2018 Ricardo Nogueira / Instagram @nogueirafoto

A Copa do Mundo é um evento em que poucos detalhes passam desapercebidos. Tudo é transmitido e fotografado. Alguém com um celular em uma visão um pouco mais privilegiada, às vezes pode tirar uma foto impactante e que marque uma copa. Como o fotógrafo deve trabalhar para continuar sendo relevante nesse cenário?

Acredito que o fotógrafo cada vez mais precisa se especializar no assunto que está fotografando. No meu caso, procuro conhecer o máximo que puder sobre as seleções, esquemas táticos e principalmente as características de cada atleta: em qual posição atua no campo, pra qual lado dribla, como costuma comemorar os gols que marca, etc. Esses detalhes podem fazer a diferença e fazer com que o fotógrafo “enxergue” algo que ninguém viu.

A fotografia de um evento como esse parece ser muito mais de oportunidade do que algo mais programado. Como é ter que assistir ao jogo com esse olhar atento para os detalhes da partida?

Com certeza o nível de atenção durante os jogos fica muito mais apurado. A todo momento o fotógrafo tem a impressão de que algo histórico pode acontecer e ele precisa estar preparado. Mas tento não colocar toda essa pressão sobre o meu trabalho, não. Até porque acredito que mais atrapalha do que ajuda. O ideal, na medida do possível, é tratar o jogo como mais um jogo e se concentrar em produzir um bom material, de preferência aplicando minha linguagem fotográfica.

Conte um pouco mais sobre uma das suas fotos clicadas durante a Copa do Mundo na Rússia que você mais gostou , sobre o momento na hora de fazer a foto.

Eu gostei muito da foto dos jogadores da França levantando a taça de campeão. Pelo simbolismo, pela plasticidade, luz. Sinceramente eu não esperava muita coisa desse momento. Premiação de evento esportivo geralmente é uma coisa bem careta, por isso sempre que tenho que fazer algo do tipo penso em tentar algo diferente. Nessa Copa toda praticamente trabalhei com uma 600mm, uma lente de longo alcance. Minha ideia era usá-la também no momento da premiação e tentar me posicionar em um ângulo diferente dos outros fotógrafos.

Então me posicionei um pouco mais de lado e fiquei esperando. Acontece que demoraram muito pra trazer a taça e começou aquela chuva torrencial! Me abriguei por um tempo no banco de reservas pra ver se a chuva diminuía um pouco. Como a chuva não passava, esperei até o último momento para sair do banco e me posicionar novamente (estava preocupado em não molhar muito os equipamentos). Então assim que trouxeram a taça, fiz as fotos e já fui pra sala de imprensa. Foi tudo muito rápido e só consegui ver o que tinha feito mesmo uns minutos depois, quando abri as imagens no computador.

"Depois de adquirir uma certa experiência percebi que eu podia passar através das minhas fotos a maneira como eu havia visto a partida, como eu enxergava o jogo."

Ricardo Nogueira, Fotógrafo

Photo: © 2018 Ricardo Nogueira / Instagram @nogueirafoto

Photo: © 2018 Ricardo Nogueira / Instagram @nogueirafoto

Como você enxerga que é possível diferenciar o seu trabalho dos demais fotógrafos em campo?

Eu acho que fotografar uma Copa do Mundo é o ápice da carreira de qualquer fotógrafo de futebol. Por isso, se você tem essa oportunidade, tem de tentar deixar “sua marca”. Além do mais, são 200 fotógrafos em um jogo, posicionados lado a lado, ombro a ombro, quase todos com as mesmas câmeras e lentes: ou seja, provavelmente as imagens produzidas serão similares. Então, procuro sempre fazer algo diferente, seja uma lente (como disse, usei muito uma 600mm, enquanto a maioria dos fotógrafos utilizou a 400mm ou 200-400mm) e também uma 50mm com uma abertura maior para lances mais próximos. Além disso, em virtude desse trabalho que tenho desenvolvido com os atletas, eu passava muito tempo focado apenas em alguns atletas durante os jogos. Isso me permitiu produzir um material diferenciado, mais rico em detalhes, com fotos mais “fechadas” desses jogadores.

Teve alguma coisa que você viu e que não conseguiu ter fotografado?

Tiveram algumas sim. Acho que foto que mais marcou que “vi” mas não cliquei foi quando os jogadores da França jogaram para o alto o técnico Didier Deschamps, logo após o fim da partida. Eu estava fotografando um torcedor que estava na arquibancada e quando me virei pro campo a cena já estava no fim.

Na sua profissão você lida diariamente com a imagem de atletas. Essas imagens correm o mundo e muitas vezes transmitem uma mensagem, um valor. Na sua opinião, qual jogador sai da Copa com sua imagem valorizada? Qual foto/imagem refletiu essa valorização? E o contrário, quem saiu com uma imagem ruim e qual foto representa isso?

Eu acho que o Mbappé, por ter sido campeão, além de ter apenas 19 anos e jogado muito bem durante toda a Copa do Mundo, saiu com a imagem muito valorizada. Tem uma foto que fiz dele do alto, no jogo contra a Bélgica, quando trabalhei das tribunas, que gosto bastante.

Eu tenho uma foto do Cristiano Ronaldo que acho que representa bem uma cena de derrota, mas não acredito que ele tenha saído da Copa com uma imagem ruim. Talvez por ter sido essa a última oportunidade dele ter ganho uma Copa, sua imagem pode ser vista como a de um atleta super vitorioso que não conseguiu ser campeão do mundo. Mas ele jogou muito bem durante todo o torneio.

Como é o seu processo de pós-produção fotográfica? Conte um pouco sobre como você enxerga isso e qual a importância dessa pós-produção para a divulgação das suas fotos.

Esse processo é simples, até porque tem de ser muito rápido. Na maioria das vezes a edição e tratamento das imagens é feita ali no campo mesmo, durante o jogo. Então procuro apenas realizar um tratamento rápido e com ajustes básicos quando estou trabalhando para algum jornal ou agência de imagens. Quando estou fotografando para os atletas, tenho a possibilidade de realizar uma pós-produção mais “caprichada”, já que não há tanta pressa em entregar essas fotos.

Como você compara a Copa na Rússia com a realizada no Brasil 4 anos atrás? Qual você achou mais bacana, dentro e fora de campo?

A Copa no Brasil foi muito boa. Tive a oportunidade de viajar para várias cidades e o clima era sempre fantástico. Mas a Copa na Rússia me surpreendeu muito positivamente. O clima nas cidades, principalmente São Petersburgo, Sochi e Moscou (aonde fiquei por mais tempo) era sensacional também. Dentro de campo ambas funcionaram muito bem.

Qual é a sua visão entre a cobertura de um evento como Copa do Mundo com outros trabalhos que você faz no esporte? Qual a sua avaliação do nível de cobertura e interesse de um campeonato brasileiro, por exemplo, quando comparado com outros eventos que você cobriu?

Acho que não é nem possível fazer essa comparação. A Copa do Mundo reúne em um mês os melhores jogadores do mundo, as melhores seleções e consequentemente o nível de cobertura e da audiência é absurdo. Particularmente pude notar isso com o crescimento de seguidores que tive nas minhas redes sociais na época do torneio. 

 

Photo: © 2018 Ricardo Nogueira / Instagram @nogueirafoto

Photo: © 2018 Ricardo Nogueira / Instagram @nogueirafoto

Você acredita que o fato de um fotógrafo ser fã e conhecedor do esporte contribui para o resultado final de suas fotografias? Se sim, de qual maneira?

Acredito muito nisso sim. Eu pratico esportes despe pequeno e sempre fui fanático por futebol. Joguei futebol de salão até os 17 anos. Quando entrei na faculdade de jornalismo conheci a fotografia. Então foi meio que natural unir essas duas paixões. Acho sensacional estar dentro de campo fotografando um jogo. Depois de adquirir uma certa experiência percebi que eu podia passar através das minhas fotos a maneira como eu havia visto a partida, como eu enxergava o jogo. Então pra mim, pelo fato de conhecer futebol por ter acompanhado os jogos a minha vida inteira e principalmente gostar muito do que faço, o resultado final das fotos quase sempre é satisfatório.

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